Muito se fala da R. do Almada

•Novembro 20, 2006 • 1 Comentário

Coincidência ou não, muito se tem falado sobre esta rua, e bem…. para quem se interesse aqui fica a declaração do JN:

” O que têm em comum chapéus com penas de pavão, mobiliário, discos de vinil, borrachas e parafusos? Todos estes objectos podem ser encontrados na Rua do Almada, na Baixa do Porto, tradicionalmente conhecida como a “rua dos ferreiros”, mas que tem vindo a adquirir um novo “espírito”, que uns caracterizam como sendo alternativo e outros complementar .

Este sopro deve-se à emergência, nos últimos anos, de uma série de lojas inovadoras,orientadas para públicos específicos, na sua maioria associadas ao comércio “vintage”. Jaime Garcia, proprietário, há dez anos, do armazém Pedras ePêssegos, vê, nas rendas baixas, aliadas a espaços amplos, o motivo para o estabelecimento das novas lojas na Rua do Almada. “Com estas lojas, não pode pagar-se muito. O aluguer barato atrai pessoas que querem montar negócios”. Jaime explica, contudo, que “se sente já uma especulação nos preços de arrendamento”.

O dono da Jorge Cardoso Roupagens, loja que assume o seu nome, admite que “a escolha da Rua do Almada foi propositada, devido a uma boa relação entre o custo da renda e o espaço”. Além disso, teve “o ‘feeling’ de que o importante na rua é a possibilidade de coabitação de diferentes negócios. Há uma complementaridade muito maior do que possa pensar-se”.

Para os comerciantes da rua, a substituição parcial das ferragens pelos novos estabelecimentos deve-se, principalmente, ao aparecimento de espaços comerciais de grandes dimensões. “As lojas de ferragens têm fechado devido à concorrência das grandes superfícies”, defende Joana Torres, que trabalha há cinco anos na Borrachas Carli Plásticos, localizada no n.º 442, acrescentando que “a falta de estacionamento também afasta algumas pessoas da rua”.

Todavia, o comércio ferrageiro ainda conserva alguma da dinâmica do passado. Francisco Pires, funcionário da Açometais, explica que, ali, “as coisas são mais baratas do que nas grandes superfícies” . Joana Torres destaca outra mais-valia das ferragens da Rua do Almada “Estas lojas têm tudo. Vêm pessoas de fora para comprar certas coisas”.

De acordo com Jorge Cardoso, “a alma da rua” é mesmo “os vizinhos que vendem pregos. São tão alternativos como eu”, justifica, com o facto de manterem o comércio tradicional vivo na rua. “No dia em que eles forem à vida, nós também vamos”, assegura.

Rio Fernandes, geógrafo e professor catedrático da Faculdade de Letras do Porto, conta que “as ferragens são tradição na Rua do Almada desde o século XIX”, inserida num contexto de especialização das ruas. Na sua opinião, foi “a decadência do centro portuense, à semelhança do que sucedeu noutras cidades europeias, que levou ao encerramento de grande parte das lojas dedicadas a este ramo”.

Ainda assim, para o académico, “quem souber apostar na inovação e na qualidade consegue manter o comércio antigo”. Não há, por isso, tendência para um fecho radical das lojas de ferragens “A sociedade do passado convive bem com a do futuro”.

“‘Vintage’ é uma palavra chique para segunda mão”

Quando se fala em “vintage”, num primeiro momento, é normal pensar no vinho do Porto. Elisa Cepeda, dona da loja Retro Paradise, na Rua do Almada, mostra que o conceito vai muito além do famoso néctar, aplicando-se a todos os artigos – mobiliário, discos, roupas – que antecedem a década de 80 do século passado.

O gosto pela estética de outras épocas está na moda. As lojas que vendem artigos em segunda mão podem ser pontos de referência para os adeptos desta onda revivalista. Mas, para Elisa , “vintage” acaba por ser “uma palavra chique para dizer segunda mão” .

Contrariando a ideia comum, de que roupas usadas são mais baratas, Elisa Cepeda explica que, “hoje em dia, pode ficar mais caro comprar uma peça em segunda mão do que uma nova”. Isto deve-se ao facto de estas “estarem a escassear” e, normalmente, “terem de ser importadas”, o que implica custos adicionais, como informa a proprietária. O processo de selecção das roupas é essencial, porque “encontra-se um pouco de tudo”. No entanto, para Elisa Cepeda, as réplicas dos modelos “vintage” não são um perigo, porque consegue “distinguir perfeitamente uma peça original de uma actual”.

Em Portugal, o movimento “vintage” nunca teve grande expressão, ao contrário do que sucede noutros países europeus e nos Estados Unidos “Ainda não há cultura suficiente para compreender este tipo de coisas”, afirma. “O país é assim. Estas coisas chegam sempre muito tarde ou pela mão de alguém”, esclarece Elisa Cepeda.

Ir ao paraíso para regressar ao passado

A “Maria” nem sempre vai com as outras

A Casa onde o mobiliário tem história e identidade

Retro Paradise

l Loja de peças em segunda mão

Parece um camarim de teatro, mas com traços de Hollywood há lantejoulas, folhos, rendas, plumas, acessórios, discos de vinil, roupas, num cruzamento de diferentes épocas. O paraíso do retro, sem dúvida. A compra não é obrigatória para quem quer voltar, temporariamente, ao passado – alugam-se fatos para festas temáticas, bailados e outros eventos. Os retratos antigos, nas paredes caiadas, deixam adivinhar que este negócio familiar “não é propriamente alternativo, mas mais virado para a ideia de colecção”. São as palavras de André Cepeda, filho de Elisa, a responsável pela abertura do espaço, há cinco anos, primeiramente no Bolhão, na Rua Alexandre Braga, e há três no nº 561 da Rua do Almada. “Envolvemo-nos muito com aquilo que vendemos e tratamos bem as coisas. Por isso, a Retro não é somente uma loja de roupa em segunda mão”. A opinião de André coaduna-se com a de Elisa “Cada vez que uma pessoa entra na loja, aprende algo”. Mas este tipo de negócio enfrenta dificuldades. Segundo André Cepeda, “não há poder de compra e a Câmara não incentiva as pessoas a ficar no centro da cidade, que está toda podre”. Nesse sentido, entende que “o Porto tem perdido pessoas e oportunidades para ser um sítio fantástico”. Crítico, dispara: “Se, pelo menos, fechassem uma parte da rua ao trânsito, se renovassem os passeios e limpassem a rua, que é muito suja!”.

Maria Vai Com As Outras

Loja de cultura e convívio

Entra-se e é como se estivéssemos em casa há livros, sofás, uma mesa comprida, uma pequena máquina de café, um gato, quadros na parede. Ali, “as pessoas sentem-se bem porque existe um ambiente familiar, não há a relação formal entre cliente e consumidor”, confirma Ana Caeiro, uma das três sócias do projecto.

A escolha da Rua do Almada “não foi intencional”, mas “a loja acabou por se enquadrar num espírito que começou a emergir recentemente”, explica. Para Ana, “foi uma coincidência terem aberto, em simultâneo, estas lojas novas. A rua passou a atrair um determinado tipo de comércio, que procura oferecer coisas diferentes a um público muito específico”. Gosta de pensar que quem frequenta a “Maria” se interessa por “cinema, livros, arte e ambientes calmos”, diz, com os olhos azuis muito abertos, num sinal de entusiasmo. A ideia é criar um espaço tranquilo, “onde as pessoas possam estar a beber o seu café e a conviver”, resume. Exemplo disso são as sessões livres de poesia que o nº443 promove todas as primeiras sextas-feiras de cada mês.

As paredes coloridas dão agora vida ao espaço, que foi , durante 40 anos, uma loja de ferragens e que estava “muito degradado”. As três sócias candidataram-se ao subsídio do Centro de Emprego para criarem o projecto e abriram a loja sem saber a resposta. Mas a candidatura acabou por ser aprovada.

Casa Almada

Mobiliário

Num edifício totalmente reconstruído, de paredes fortes, em pedra, é recriado um ambiente de conforto com peças de mobiliário “vintage”, sobretudo do pós-2.ª Guerra Mundial. Qualquer candeeiro, cadeira, mesa ou sofá em exposição tem uma história, uma identidade, factor fundamental para quem opta pela compra deste tipo de artigos.

Claramente a pensar neste público-alvo, os sócios da Casa Almada, no nº 544, Raul Sousa e Mário Canijo, assumem a escolha da rua como “completamente intencional”. São três as razões que Raul sustenta “Achámos que nesta rua ia dar-se o que está a acontecer: este ‘boom’ de lojas jovens, com propostas arriscadas. A presença do 555 e da Retro Paradise, em frente, são o segundo motivo. E, mais importante, é a presença do nosso concorrente e amigo, o Jaime Garcia, do armazém Pedras e Pêssegos”.

O gosto pelas peças, pela sua qualidade e história, fazem parte dos critérios de selecção dos artigos. Alguns, encontram-nos em feiras ou armazéns internacionais. “Depois de reconhecidos os melhores sítios, estabelecemos contactos e conseguimos fazer negócios sem termos que nos deslocar”, informa Raul.

A Casa Almada incorpora, ainda, o Quarto de Cima, que vende roupa e calçado de estilistas, bem como de determinadas marcas.”

Abertura@09.Nov.2006

•Novembro 11, 2006 • 2 comentários

É fácil ser original no Natal!

Passa pelo nº446 na Rua do Almada, no Porto.

Uma invasão de uma antiga loja de ferragens por vários artistas e designers.

Um espaço onde podes encontrar as suas obras em:
bijuteria-fotografia-arts&crafts-mantas-t-shirts-desenhos e gravuras-litografias-aventais-telas-cerâmica-azulejos e muito mais!…

Aparece a partir de quinta feira, dia 9 de Novembro.
O horário da loja é das 15:30 às 20h de quinta a domingo e aos sábados das 10h às 20h.

Hello world!

•Novembro 11, 2006 • 2 comentários

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